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Psicanálise & Educação

Andrea Costa
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sexta-feira, 16 de abril de 2010

EROS E PSIQUE



pintura - L’enlèvement de Psyché” de William Adolphe Bouguereau

Psiquê
(Palavra grega que significa tanto alma, como borboleta) era uma jovem tão bela que de todas as partes acorria gente para admirá-la. Passou mesmo a ser objeto de culto, sobrepondo-se a Vênus (Também conhecida como Afrodite, a deusa da beleza e do amor), cujos templos se esvaziaram. A deusa indignou-se com o fato de uma simples mortal receber tantas honras. Pediu a seu filho Eros (Cupido, no panteão romano) , o deus do Amor, que atingisse a jovem com suas flechas, fazendo-a enamorar-se do homem mais desprezível do mundo. Entretanto, ao ver a princesa, o próprio Eros apaixonou-se e, contrariando as ordens da mãe, não lançou suas setas.
Enquanto as irmãs de Psiquê casaram-se com reis, a jovem mortal, cobiçada por um deus, permaneceu só. Apreensivo, seu pai consultou o oráculo de Apólo. Este aconselhou o soberano a levar a filha, vestida em trajes nupciais, até o alto de uma colina. Lá, uma serpente iria tomá-la como esposa. As ordens divinas foram executadas e, enquanto a jovem esperava que se consumasse seu destino, surgiu Zéfiro(Na mitologia grega, é o vento do Oeste). O doce vento transportou-a até uma planície florida, às margens de um regato. Esgotada por tantas emoções, Psiquê dormiu. Quando acordou, estava no jardim de um palácio de ouro e mármore. Ouviu, então uma voz que a convidava a entrar. À noite, oculto pela escuridão, Eros amou-a. Recomendou-lhe, insistentemente, que jamais tentasse vê-lo. Durante algum tempo, apesar de não conhecer o amado, Psiquê sentia-se a mais feliz das mulheres. Saudosa de suas irmãs, pediu ao marido para vê-las. Zéfiro encarregou-se de levá-las ao palácio. Invejosas da riqueza e felicidade de Psiquê, as jovens insinuaram a dúvida em seu coração. Declararam que o homem que ela desconhecia devia ser o monstro previsto pelo oráculo. Aconselharam-na, então, a preparar uma lâmpada e uma faca afiada: com a primeira, veria o rosto do marido; com a segunda, poderia matá-lo, se fosse mesmo o monstro. À noite, enquanto Eros dormia, Psiquê apanhou a lâmpada e iluminou-lhe o rosto. Viu, então, o mais belo jovem que já existira. Emocionada com a descoberta, deixou cair uma gota do óleo da lâmpada no ombro do deus. Este despertou sobressaltado e foi embora, para não mais voltar. Afastando-se, disse-lhe em tom de censura: “O amor não pode viver sem confiança”.
Cheia de dor, a jovem pôs-se a errar pelo mundo, implorando o auxílio das divindades. Entretanto, como não quisessem desagradar a Vênus, nenhuma delas a acolheu. Psiquê resolveu dirigir-se à própria Vênus. A deusa encerrou-a em seu palácio e impôs-lhe os mais rudes e humilhantes trabalhos: separar grãos misturados; cortar a lã de carneiros selvagens; buscar um frasco com a água negra do rio Estige. Na primeira tarefa, Psiquê foi ajudada pelas formigas. Na segunda, os caniços da beira de um regato sugeriram-lhe que recolhesse os fios de lã deixados pelos carneiros nos arbustos espinhosos. E, na terceira, uma águia tirou-lhe o frasco da mão, voou até a nascente do Estinge e trouxe-lhe o líquido negro. Finalmente, Vênus incumbiu-a de ir aos Infernos para obter um pouco da beleza de Prosérpina. Uma torre descreveu-lhe o itinerário para o reino das sombras. Orientou-a também para pagar o óbolo ao barqueiro Caronte e abrandar a ferocidade d cão Cérbero, oferecendo-lhe um bolo.
Bem sucedida na prova, Psiquê voltava com a caixa contendo a beleza, quando resolveu abri-la. Imediatamente foi tomada de um profundo sono. Eros, que a procurava, acordou-a, picando-a com a ponta de uma flecha. Em seguida, o deus do amor dirigiu-se ao Olimpo e pediu a Júpiter para esposar a mortal. Foi atendido, mas antes, era preciso que Psiquê recebesse o privilégio da imortalidade. O próprio Júpiter ofereceu ambrosia à jovem, tornando-a imortal. O casamento celebrou-se solenemente entre os deuses. Da união de Eros e Psiquê nasceu a Volúpia.”

Dicionário de Mitologia Greco-Romana

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Complexo Edipo



Por: Rogério Silva - Psicanálista

Segundo Sigmund Freud, o Complexo de Édipo verifica-se quando a criança atinge o período sexual fálico na segunda infância e dá-se então conta da diferença de sexos, tendendo a fixar a sua atenção libidinosa nas pessoas do sexo oposto no ambiente familiar. O conceito foi descrito e recebeu a designação de complexo por Carl Jung, que desenvolveu semelhantemente o conceito de complexo de Eletra.
Freud baseou-se na tragédia de Sófocles, Édipo Rei, chamando Complexo de Édipo à preferência velada do filho pela mãe, acompanhada de uma aversão clara pelo pai. Na peça (e na mitologia grega), Édipo matou seu pai Laio e desposou a própria mãe, Jocasta. Após descobrir que Jocasta era sua mãe, Édipo fura os seus olhos e Jocasta comete suicídio.
..
O complexo de Édipo é uma referência à ameaça de castração ocasionada pela destruição da organização genital fálica da criança, radicada na psicodinâmica libinal, que tem como pano de fundo as experiências lidinais que se iniciam na retirada do seio materno. Importante notar que a libido é uma energia sexual, mas não se constitui apenas na prática sexual, mas também nos investimentos que o indivíduo faz para obtenção do prazer.
Alguns conceitos em psicologia são particulares de algumas abordagens psicológicas e o complexo de Édipo é um conceito fundamental para a psicanálise, entendido, inclusive, como sendo universal e, portanto, característico de todos os seres humanos. O complexo de Édipo caracteriza-se por sentimentos contraditórios de amor e hostilidade. Metaforicamente, este conceito é visto como amor à mãe e ódio ao pai, mas esta idéia permanece, apenas, porque o mundo infantil resume-se a estas figuras parentais ou aos representantes delas.
...A idéia central do conceito de complexo de Édipo inicia-se na ilusão de que o bebê tem de possuir proteção e amor total, o que é reforçado pelos cuidados intensivos que o recém nascido recebe por sua condição frágil. Esta proteção é relacionada, de maneira mais significativa, à figura materna. Mais ou menos aos três anos, a criança começa a entrar em contato com algumas situações em que sofre interdições. Estas interdições são facilmente exemplificadas pelas proibições que começam a acontecer nesta idade. A criança não pode mais fazer certas coisas porque já está “grandinha”, não pode mais passar a noite inteira na cama dos pais, andar pelado pela casa ou na praia, é incentivada a sentar de forma correta e controlar o esfíncter, além de outras cobranças. Neste momento, a criança começa a perceber que não é o centro do mundo e precisa renunciar ao mundo organizado em que se encontra e também à sua ilusão de proteção e amor total.
O complexo de Édipo é muito importante porque caracteriza a diferenciação do sujeito em relação aos pais. A criança começa a perceber que os pais pertencem a uma realidade cultural e que não podem se dedicar somente a ela porque possuem outros compromissos, como é o caso do trabalho, de amigos e de todas as outras atividades. A figura do pai representa a inserção da criança na cultura, é a ordem cultural. A criança também começa a perceber que o pai pertence à mãe e por isso dirige sentimentos hostis a ele.

Complexo de Edipo

...sentimentos são contraditórios porque a criança também ama esta figura que hostiliza. A diferenciação do sujeito é permeada pela identificação da criança com um dos pais. Na identificação positiva, o menino identifica-se com o pai e a menina com a mãe. O menino tem o desejo de ser forte como o pai e ao mesmo tempo tem “ódio” pelo ciúme da mãe. A menina é hostil à mãe porque ela possui o pai e ao mesmo tempo quer se parecer com ela para competir e tem medo de perder o amor da mãe, que foi sempre tão acolhedora.
Na identificação negativa, o medo de perder aquele a quem hostilizamos faz com que a identificação aconteça com a figura de sexo oposto e isto pode gerar comportamentos homossexuais. Nesta fase, a repressão ao ódio e à vontade de permanecer em “berço esplêndido” é muito forte e o sujeito desenvolve mecanismos mais racionais para sua inserção cultural.
Com o aparecimento do complexo de Édipo, a criança sai do reinado dos impulsos, dos instintos e passa para um plano mais racional. A pessoa que não consegue fazer a passagem da ilusão/superproteção para a cultura, se psicotiza.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O descobrimento do outro sexo


*Teresa Artola González

Na última etapa da infância é raro o intercâmbio social entre os sexos. Geralmente as crianças consideram às meninas como umas “cafonas”, enquanto que as meninas consideram os meninos como uns “brutos”. Contudo com a puberdade chega o despertar da sexualidade e um intenso interesse por membros do sexo oposto.
Assim entre os 12 e os 13 anos nas meninas e os 13 ou 14 nos meninos aparece de repente o interesse pelo sexo oposto, ainda que cada adolescente seja um mundo à parte.
As primeiras aproximações menino-menina (10-13 anos) costuma ser de tipo idealizado e romântico. Posteriormente, entre os 13-15 anos o contato começa a ser mais habitual, sendo a forma mais comum de aproximação ao outro sexo através da turma, onde o adolescente se sente mais seguro. Esta é uma idade caracterizada pela vaidade (nas meninas) e o desejo de impressionar as meninas (nos meninos)...
Os pais devemos ser conscientes de que hoje em dia, os jovens de ambos os sexos estabelecem contatos a idades mais precoces que antes. Os pais não devemos opor-nos a estas relações, nem esgotar-lhes com proibições. Deveremos, entretanto ocupar-nos de dar-lhes uma formação adequada e de ajudar-lhes a desenvolver critérios para que tais relações não lhes prejudiquem. Inclusive pode ser adequado que fomentemos ocasiões para que aprendam a estar juntos e tratar-se, principalmente ao final da adolescência, animando-lhes a que dêem alguma festa em casa... Nosso lar deve ser um lugar aberto onde os filhos não tenham reparos em trazer a seus amigos e amigas.
Em algum momento, durante a adolescência, surge o primeiro amor. De repente observa que sua filha permanece sempre introvertida, muda com freqüência de humor, às vezes está radiante e outra parece absorvida na maior tristeza, cochicha continuamente com suas amigas e passa as tardes ouvindo a mesma canção de Alejandro Sanz. “O que está acontecendo?”, pergunta-se. Simplesmente se apaixonou”.
Estas primeiras paixões costumam ter um considerável componente platônico, especialmente nas meninas, mas uma crescente atração física. Isto não deve preocupar-nos, é algo normal a esta idade, mas sim deveremos ajudar-lhe a encaminhar seus efeitos de forma adequada. Deveremos procurar tratar-lhe com compreensão e carinho. O último que devemos fazer é ridicularizar-lhe, tirar-lhe a ilusão ou proibir-lhe esta relação. Contudo deveremos buscar ocasiões para provocar conversas, retomar conversações sobre o significado da sexualidade e o amor, e confidências que lhe ajudem a abrir-se conosco. Igualmente deveremos animar-lhe a que continue saindo com seu grupo de amigas e não se isole.
Não devemos ser ingênuos e ignorar que na sociedade atual confluem uma série de fatores que facilitam que entre as crianças e os adolescentes se produzam cada vez um maior número de casos de precocidade sexual, ou de atividades sexuais que correspondem a um desenvolvimento amadurecedor superior ao qual por sua idade possuem.
Igualmente nossos filhos se vêem bombardeados através dos meios de comunicação, o cinema, as revistas, de toda uma série de mensagens de alto conteúdo sexual, e no pior dos casos inclusive pornográfico. Algumas revistas, específicas para adolescentes, foram denunciadas nos últimos anos devido às sessões sexuais e aos conteúdos incluídos em suas páginas. Além disso muitos pais hoje não encontram tempo ou estão muito cansados para controlar e estar pendentes do que vêem ou fazem seus filhos. Isto facilita o que estes tenham grandes conhecimentos e uma intensa curiosidade no plano sexual.
Igualmente os pais deveremos ter especial cuidado de conhecer os lugares aos quais nossos filhos podem estar freqüentando: conhecer qual é o ambiente destes lugares, que tipo de bebidas se vendem, que tipo de pessoas freqüentam a eles, etc.
Também devemos prevenir-lhes dos inconvenientes e preconceitos que podem supor o comprometer-se em uma relação mais íntima, ou um namoro prematuro, para o qual ainda não estão preparados.
Finalmente, na adolescência tardia, entre os 17 e os 20 anos, é quando o adolescente é capaz de estabelecer uma relação interpessoal mais estável. Ao diminuir seu egocentrismo estará já em condições de manter uma verdadeira relação de pessoa a pessoa. A esta idade o jovem já possui uma maior capacidade para comprometer-se e fazer planos orientados para o futuro. Trata-se de uma pessoa o suficientemente madura, capaz de dominar-se a si própria e estabelecer uma relação interpessoal estável.
continuação...

Em algum momento, durante a adolescência, surge o primeiro amor. De repente observa que sua filha permanece sempre introvertida, muda com freqüência de humor, às vezes está radiante e outra parece absorvida na maior tristeza, cochicha continuamente com suas amigas e passa as tardes ouvindo a mesma canção de Alejandro Sanz. “O que está acontecendo?”, pergunta-se. Simplesmente se apaixonou”.
Estas primeiras paixões costumam ter um considerável componente platônico, especialmente nas meninas, mas uma crescente atração física. Isto não deve preocupar-nos, é algo normal a esta idade, mas sim deveremos ajudar-lhe a encaminhar seus efeitos de forma adequada. Deveremos procurar tratar-lhe com compreensão e carinho. O último que devemos fazer é ridicularizar-lhe, tirar-lhe a ilusão ou proibir-lhe esta relação. Contudo deveremos buscar ocasiões para provocar conversas, retomar conversações sobre o significado da sexualidade e o amor, e confidências que lhe ajudem a abrir-se conosco. Igualmente deveremos animar-lhe a que continue saindo com seu grupo de amigas e não se isole.
Não devemos ser ingênuos e ignorar que na sociedade atual confluem uma série de fatores que facilitam que entre as crianças e os adolescentes se produzam cada vez um maior número de casos de precocidade sexual, ou de atividades sexuais que correspondem a um desenvolvimento amadurecedor superior ao qual por sua idade possuem.
Igualmente nossos filhos se vêem bombardeados através dos meios de comunicação, o cinema, as revistas, de toda uma série de mensagens de alto conteúdo sexual, e no pior dos casos inclusive pornográfico. Algumas revistas, específicas para adolescentes, foram denunciadas nos últimos anos devido às sessões sexuais e aos conteúdos incluídos em suas páginas. Além disso muitos pais hoje não encontram tempo ou estão muito cansados para controlar e estar pendentes do que vêem ou fazem seus filhos. Isto facilita o que estes tenham grandes...


...conhecimentos e uma intensa curiosidade no plano sexual.
Igualmente os pais deveremos ter especial cuidado de conhecer os lugares aos quais nossos filhos podem estar freqüentando: conhecer qual é o ambiente destes lugares, que tipo de bebidas se vendem, que tipo de pessoas freqüentam a eles, etc.
Também devemos prevenir-lhes dos inconvenientes e preconceitos que podem supor o comprometer-se em uma relação mais íntima, ou um namoro prematuro, para o qual ainda não estão preparados.
Finalmente, na adolescência tardia, entre os 17 e os 20 anos, é quando o adolescente é capaz de estabelecer uma relação interpessoal mais estável. Ao diminuir seu egocentrismo estará já em condições de manter uma verdadeira relação de pessoa a pessoa. A esta idade o jovem já possui uma maior capacidade para comprometer-se e fazer planos orientados para o futuro. Trata-se de uma pessoa o suficientemente madura, capaz de dominar-se a si própria e estabelecer uma relação interpessoal estável.

quarta-feira, 31 de março de 2010


INTERPRETE DESENHOS infantis

"Antes eu desenhava como Rafael, mas precisei de toda uma existência para aprender a desenhar como as crianças”. (Picasso)

PÚBLICO ALVO – Educadores pais e pessoas envolvidas em educação de maneira geral.

DIA- 15/04/2010 (inscrições até o dia 12/04/2010)

HORÁRIO - 20h15 às 22h15

Orientadora-Andrea Costa (psicanalista)

LOCAL – Academia Danúbio Azul
Pça. Lourenço de Bellis, 80 – Vila Sabrina.
Fone: 2949 1194

**Certificado e apostila inclusos

domingo, 28 de março de 2010

continuação - Sexualidade Infantil


(1) O PERÍODO DE LATÊNCIA SEXUAL DA INFÂNCIA E SUAS RUPTURAS
As constatações extraordinariamente amiudadas de moções sexuais pretensamente excepcionais e anormativas na infância, bem como a revelação das lembranças infantis do neurótico, até então inconscientes, talvez permitam traçar o seguinte quadro das condutas sexuais da infância:
Parece certo que o recém-nascido traz consigo germes de moções sexuais que continuam a se desenvolver por algum tempo, mas depois sofrem uma supressão progressiva, a qual, por sua vez, pode ser rompida por avanços regulares do desenvolvimento sexual ou suspensa pelas peculiaridades individuais. Nada se sabe ao certo sobre a regularidade e a periodicidade desse curso oscilante de desenvolvimento. Parece, no entanto, que a vida sexual da criança costuma expressar-se numa forma acessível à observação por volta dos três ou quatro anos de idade.
AS INIBIÇÕES SEXUAIS
Durante esse período de latência total ou apenas parcial erigem-se as forças anímicas que, mais tarde, surgirão como entraves no caminho da pulsão sexual e estreitarão seu curso à maneira de diques (o asco, o sentimento de vergonha, as exigências dos ideais estéticos e morais). Nas crianças civilizadas, tem-se a impressão de que a construção desses diques é obra da educação, e certamente a educação tem muito a ver com isso. Na realidade, porém, esse desenvolvimento é organicamente condicionado e fixado pela hereditariedade, podendo produzir-se, no momento oportuno, sem nenhuma ajuda da educação. Esta fica inteiramente dentro do âmbito que lhe compete ao limitar-se a seguir o que foi organicamente prefixado e imprimi-lo de maneira um pouco mais polida e profunda.
FORMAÇÃO REATIVA E SUBLIMAÇÃO
Com que meios se erigem essas construções tão importantes para a cultura e normalidade posteriores da pessoa? Provavelmente, às expensas das próprias moções sexuais infantis, cujo afluxo não cessa nem mesmo durante esse período de latência, mas cuja energia — na totalidade ou em sua maior parte — é desviada do uso sexual e voltada para outros fins. Os historiadores da cultura parecem unânimes em supor que, mediante esse desvio das forças pulsionais sexuais das metas sexuais e por sua orientação para novas metas, num processo que merece o nome de sublimação, adquirem-se poderosos componentes para todas as realizações culturais. Acrescentaríamos, portanto, que o mesmo processo entra em jogo no desenvolvimento de cada indivíduo, e situaríamos seu início no período de latência sexual da infância.
Também sobre o mecanismo desse processo de sublimação pode-se arriscar uma conjectura. As moções sexuais desses anos da infância seriam, por um lado, inutilizáveis, já que estão diferidas as funções reprodutoras — o que constitui o traço principal do período de latência — , e por outro, seriam perversas em si, ou seja, partiriam de zonas erógenas e se sustentariam em pulsões que, dada a direção do desenvolvimento do indivíduo, só poderiam provocar sensações desprazerosas. Por conseguinte, elas despertam forças anímicas contrárias (moções reativas) que, para uma supressão eficaz desse desprazer, erigem os diques psíquicos já mencionados: asco, vergonha e moral.
RUPTURAS DO PERÍODO DE LATÊNCIA
Sem nos iludirmos quanto à natureza hipotética e quanto à clareza insuficiente de nossos conhecimentos acerca dos processos do período infantil de latência ou adiamento, voltemos à realidade para indicar que esse emprego da sexualidade infantil representa um ideal educativo do qual o desenvolvimento de cada um quase sempre se afasta em algum ponto, amiúde em grau considerável. Vez por outra irrompe um fragmento de manifestação sexual que se furtou à sublimação, ou preserva-se alguma atividade sexual ao longo de todo o período de latência, até a irrupção acentuada da pulsão sexual na puberdade. Na medida em que prestam alguma atenção à sexualidade infantil, os educadores portam-se como se compartilhassem nossas opiniões sobre a construção das forças defensivas morais à custa da sexualidade, e como se soubessem que a atividade sexual torna a criança ineducável, pois perseguem como "vícios" todas as suas manifestações sexuais, mesmo que não possam fazer muita coisa contra elas. Nós, porém, temos todos os motivos para voltar nosso interesse para esses fenômenos temidos pela educação, pois deles esperamos o esclarecimento da configuração originária da pulsão sexual.

sábado, 27 de março de 2010

SEXUALIDADE INFANTIL

A seguir serão apresentadas postagens sobre o tema acima.
Parte do livro de Freud: "Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade " ( 1926)
Vocês irão gostar...

SEXUALIDADE INFANTIL


A SEXUALIDADE INFANTIL
SIGMUND FREUD

[(Parte do livro de Freud: "Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1926)]
(Traduzido e publicado no Brasil pela Editora Imago)

O DESCASO PARA COM O INFANTIL
Faz parte da opinião popular sobre a pulsão sexual que ela está ausente na infância e só desperta no período da vida designado da puberdade. Mas esse não é apenas um erro qualquer, e sim um equívoco de graves conseqüências, pois é o principal culpado de nossa ignorância de hoje sobre as condições básicas da vida sexual. Um estudo aprofundado das manifestações sexuais da infância provavelmente nos revelaria os traços essenciais da pulsão sexual, desvendaria sua evolução e nos permitiria ver como se compõe a partir de diversas fontes.
É digno de nota que os autores que se ocuparam do esclarecimento das propriedades e reações do indivíduo adulto tenham prestado muito mais atenção à fase pré-histórica representada pela vida dos antepassados — ou seja, atribuído uma influência muito maior à hereditariedade — do que à outra fase pré-histórica, àquela que se dá na existência individual da pessoa, a saber, a infância. É que, como se pode supor, a influência desse período da vida seria mais fácil de compreender e teria direito a ser considerada antes da influência da hereditariedade. É certo que na literatura sobre o assunto encontramos notas ocasionais acerca da atividade sexual precoce em crianças pequenas, sobre ereções, masturbação e até mesmo atividades semelhantes ao coito. Mas elas são sempre citadas apenas como processos excepcionais, curiosidades ou exemplos assustadores de depravação precoce. Nenhum autor, ao que eu saiba, reconheceu com clareza a normatividade da pulsão sexual na infância, e, nos escritos já numerosos sobre o desenvolvimento infantil, o capítulo sobre o "Desenvolvimento Sexual" costuma ser omitido.
AMNÉSIA INFANTIL
A razão dessa estranha negligência pode ser buscada, em parte, nas considerações convencionais que os autores respeitam em conseqüência de sua própria criação, e em parte, num fenômeno psíquico que até agora escapou a qualquer explicação. Refiro-me à singular amnésia que, na maioria das pessoas (mas não em todas!), encobre os primeiros anos da infância, até os seis ou oito anos de idade. Até o momento, não nos ocorreu ficar surpresos ante o fato dessa amnésia, e no entanto, teríamos boas razões para isso. De fato, somos informados de que, durante esses anos, dos quais só preservamos na memória algumas lembranças incompreensíveis e fragmentadas, reagíamos com vivacidade frente às impressões, sabíamos expressar dor e alegria de maneira humana, mostrávamos amor, ciúme e outras paixões que então nos agitavam violentamente, e até formulávamos frases que eram registradas pelos adultos como uma boa prova de discernimento e de uma capacidade incipiente de julgamento. E de tudo isso, quando adultos, nada sabemos por nós mesmos. Por que terá nossa memória ficado tão para trás em relação a nossas outras atividades anímicas? Ora, temos razões para crer que em nenhuma outra época da vida a capacidade de recepção e reprodução é maior do que justamente nos anos da infância.
Por outro lado, devemos supor, ou podemos convencer-nos disso mediante a investigação psicológica de outrem, que as mesmas impressões por nós esquecidas deixaram, ainda assim, os mais profundos rastros em nossa vida anímica e se tornaram determinantes para todo o nosso desenvolvimento posterior. Não há como falar, portanto, em nenhum declínio real das impressões infantis, mas sim numa amnésia semelhante à que observamos nos neuróticos em relação às vivências posteriores, e cuja essência consiste num mero impedimento da consciência (recalcamento). Mas quais são as forças que efetuam esse recalcamento das impressões infantis? Quem solucionasse esse enigma teria também esclarecido a amnésia histérica.
Todavia, não queremos deixar de destacar que a existência da amnésia infantil fornece um novo ponto de comparação entre o estado anímico da criança e o dos psiconeuróticos. Já deparamos com outro desses pontos (ver em [1]) quando se impôs a nós a fórmula de que a sexualidade dos psiconeuróticos preserva o estado infantil ou é reconduzida a ele. E se a própria amnésia infantil também tiver de ser relacionada com as moções sexuais da infância?
Aliás, ligar a amnésia infantil à histérica é mais do que um mero jogo de palavras. A amnésia histérica, que está a serviço do recalcamento, só é explicável pela circunstância de que o indivíduo já possui um acervo de traços anêmicos que deixaram de estar à disposição da consciência e que agora, através de uma ligação associativa, apoderam-se daquilo sobre o que atuam as forças repulsoras do recalcamento. Pode-se dizer que sem a amnésia infantil não haveria amnésia histérica. [Cf. Freud, l950a, Carta 84, de 10 de março de 1898.]
Creio, pois, que a amnésia infantil, que converte a infância de cada um numa espécie de época pré-histórica e oculta dele os primórdios de sua própria vida sexual, carrega a culpa por não se dar valor ao período infantil no desenvolvimento da vida sexual. Um observador isolado não pode preencher as lacunas assim geradas em nosso conhecimento. Já em 1896 frisei a significação da infância para a origem de certos fenômenos importantes que dependem da vida sexual, e desde então nunca deixei de trazer para primeiro plano o fator infantil na sexualidade.

segunda-feira, 22 de março de 2010

INTERPRETE DESENHOS INFANTIS



INTERPRETE DESENHOS

“O desenho pode ser, na infância, um canal de comunicação da criança e seu mundo exterior”
(Pablo Zevallos )

PÚBLICO ALVO – Educadores, pais e pessoas envolvidas em educação de maneira geral.

DIA- 25/03/2010 (inscrições até o dia 23/03/2010)


HORÁRIO – 20h15 às 22h15

LOCAL – Academia Danúbio Azul
Pça. Lourenço de Bellis, 80 – Vila Sabrina
Fone: 2949 1194

sábado, 13 de março de 2010

O mal-estar na civilização

* Esse texto é o Capítulo V de “O mal-estar na civilização”, extraído do volume XXI da Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro, Imago Editora, 1969, e publicado in Religião e Sociedade, 15/1, 1990, pp. 120-127.

O mal-estar da civilização*



Sigmund Freud

O trabalho psicanalítico nos mostrou que as frustrações da vida sexual são precisamente aquelas que as pessoas conhecidas como neuróticas não podem tolerar. O neurótico cria, em seus sintomas, satisfações substitutivas para si, e estas ou lhe causam sofrimento em si próprias, ou se lhe tornam fontes de sofrimento pela criação de dificuldades em seus relacionamentos com o meio ambiente e a sociedade a que pertence. Esse último fato é fácil de compreender; o primeiro nos apresenta um novo problema. A civilização, porém, exige outros sacrifícios, além do da satisfação sexual
...Até aqui, podemos imaginar perfeitamente uma comunidade cultural que consista em indivíduos duplos como este, que, libidinalmente satisfeitos em si mesmos, se vinculem uns aos outros através dos elos do trabalho comum e dos interesses comuns. Se assim fosse, a civilização não teria que extrair energia alguma da sexualidade. Contudo, esse desejável estado de coisas não existe, nem nunca existiu. A realidade nos mostra que a civilização não se contenta com as ligações que até agora lhe concedemos. Visa a unir entre si os membros da comunidade também de maneira libidinal e, para tanto, emprega todos os meios, favorece todos os caminhos pelos quais as identificações fortes possam ser estabelecidas entre os membros da comunidade e, na mais ampla escala, convoca a libido inibida em sua finalidade, de modo a fortalecer o vínculo comunal através das relações de amizade. Para que esses objetivos sejam realizados, faz-se inevitável uma restrição à vida sexual. Não conseguimos, porém, entender qual necessidade força a civilização a tomar esse caminho, necessidade que provoca o seu antagonismo à sexualidade. Deve haver algum fator de perturbação que ainda não descobrimos....